No clássico dos italianos, quem decide é o japonês voador

Inter x Milan? Que nada! Foi em Santa Felicidade que o sangue italiano ferveu

por Ana Claudia Cichon*

O caminho rumo ao estádio Francisco Muraro, palco da partida deste sábado (6), já trazia um ar do duelo italiano. Os restaurantes típicos de Santa Felicidade – com o tradicional cardápio de frango, polenta e risoto, além de um belo vinho – serviam como aperitivo aos torcedores que aproveitaram o dia ensolarado para acompanhar mais uma rodada da Suburbana.

Trieste e Iguaçu, ou o clássico da polenta, representam uma das maiores rivalidades do futebol amador de Curitiba.  Desde a década de 1940 imigrantes italianos se reuniam nos campos para acompanharem seus conterrâneos em partidas disputadíssimas. “Já vi jogador discutindo com adversário e brigando com torcedores, mulheres de sombrinha e vestidos longos torcendo por namorados ou familiares, jogos de muitos gols, lances inusitados e outras situações que só jogos entre estes dois clubes proporcionam”, conta Leônidas Dias, um dos maiores radialistas esportivos do Paraná, que há anos dedica-se ao futebol amador do estado.

Nas arquibancadas ainda é possível ouvir algumas vozes com aquele sotaque típico, seja nas conversas informais do intervalo, nos cantos de incentivo às equipes e até mesmo no bate-papo com os presidentes e diretores dos times, mas já não se vê descendentes do país da pizza defendendo os clubes. Tanto é que o grande destaque da partida foi Hideo, o japonês voador.

Com 34 anos, Hideo Garcia ainda está voando nos gramados. A velocidade, as jogadas inesperadas e, claro, a origem oriental, lhe renderam o apelido de japonês voador. “Quem inventou isto foi o Chicora [narrador esportivo da equipe Rolando a Bola], por eu ser um jogador rápido e com boa movimentação”, explica.

Entre idas e vindas, já soma seis anos no futebol amador, sempre com muita dedicação e esforço. “Hoje para mim já é um trabalho, algo que eu realmente faço por amor”. Hideo teve passagens por alguns clubes do futebol profissional, como Paraná Clube, Locomotiva (Rússia) e CFZ, mas acabou retornando ao futebol varzeano, onde já foi eleito destaque em diversos campeonatos e vem conquistando títulos, como a Suburbana de 2011 pelo Bairro Alto e a Taça Paraná deste ano pelo Internacional de Campo de Largo. E para esta temporada espera levantar mais um caneco.

  • O jogo 
Antes do jogo, tudo em paz. Depois… (Foto e Vídeos: Ana Cichon)

Como todo clássico, a partida foi bastante disputada e o árbitro José Mendonça da Silva Jr. teve trabalho para acalmar os ânimos dentro e fora de campo. Foram entradas duras, diversos cartões amarelos e discussões com os bancos de reserva, principalmente no lance mais forte da partida – uma falta justamente no jogador Hideo, que rendeu reclamações dos dois lados.

Apesar do jogo nervoso, o primeiro tempo foi bastante morno, com poucas chances de gols. Mas já no início da segunda etapa o Iguaçu abriu o placar com Clé e passou a dominar a partida, principalmente com as jogadas do japonês voador, que se define como o equilíbrio do time. “O Juninho [treinador do Iguaçu] orienta para que todas as bolas passem por mim”, ressalta. E foi justamente em jogada de Hideo que surgiu o lance para o segundo gol da equipe alvinegra. Em cobrança de pênalti, Marlon ampliou o marcador.

Clássico italiano ferveu em Santa Felicidade (Foto e vídeos: Ana Cichon)

Atrás no placar e precisando de um bom resultado para continuar na briga para classificação para a próxima fase, o Trieste foi para cima e conseguiu descontar com Zico, em jogada pela direita. Mas foi só. O Iguaçu segue na liderança do grupo, com 10 pontos, enquanto o Trieste, após dois empates e uma derrota, está em terceiro lugar, com apenas 2 pontos.

  • Curiosidade

O trio de ferro da capital esteve bem representado no embate deste sábado. Pelo lado o Iguaçu, a dupla Atletiba: Flávio (ex-zagueiro do Coxa) e Luisinho Netto (ex-lateral direito do Furacão). Já o Trieste contou com o ex-zagueiro paranista Ageu que, fora de ritmo, saiu ainda no início do primeiro tempo.

Trieste: André, Rafael, Zico, Baloi, Ageu (Dalton), Raul, Aroldo (Dudu), Goiano, Flávio, Malzoni e Edvaldo (Edu). Técnico: Rossano

Iguaçu: Vilson (Leandro), Murilo, Flávio, Luciano, Emerson, Luisinho Netto, Hideo, Nilvano (Clé), Douglas, Marlon e Guilherme (Jé). Técnico: Juninho

  • Resultados da rodada

Trieste 1×2 Iguaçu
Novo Mundo 0x1 Bairro Alto
Combate Barreirinha 2×1 Santa Quitéria
Nova Orleans 3×3 Urano

*Ana Claudia Cichon é jornalista e acompanha o futebol amador de Curitiba

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