Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

“Futebol Paranaense Forte”

Meu Amigo Pedro*

O título dessa coluna vinha impresso nos ingressos da FPF na minha infância. Era uma demonstrar a vontade de evoluir que os clubes paranaenses tinham. Até então apenas um título nacional de elite, o do Coritiba em 1985. Pouco, muito pouco. E Séries B e C a parte, melhorou pouco até os dias de hoje. Como explicar que um Estado com o 5º maior PIB do Brasil, uma capital maior que Porto Alegre, pode estar tão abaixo dos quatro acima? É Pedro, as coisas não são bem assim.

“A rodada foi histórica para o futebol do Paraná”

Foi a partir de uma série de comentários de colegas sobre o desempenho dos paranaenses na rodada do feriado passado que comecei a pensar: como assim, histórica? Negativo. A frase, oriunda das quatro vitórias de Coritiba, Atlético, Paraná e Cianorte (da A pra D, ok?) é puro POPULISMO. Isso mesmo cara pálida, populismo e dos baratos. Cada clube tem sua realidade, são concorrentes de mercado, ganhou apenas por si. A hipocrisia do “todos contentes” só serve pra mascarar a eterna mania de puxar o tapete do vizinho. Histórico mesmo seria um movimento por um campeonato estadual com menos datas e mais rentável. Seria ver os clubes unidos para que a Série Prata deste ano fosse antecipada e o retorno da Copa Sul; seria ver a Federação tomar partido pelos clubes na Copa do Brasil e na Libertadores, onde uns podem algumas coisas, outros não. Deixar de usar o futebol só como trampolim político. Ver o aluguel de um estádio ao rival para faturar, com ações de marketing que se alimentam da rivalidade. Dar apoio ao Cianorte para abrir mais uma vaga nacional – coisa que em São Paulo, o Mogi Mirim terá. Seria ver o futebol paranaense sério, trabalhando para render a Copa do Mundo, e não menosprezando e até contra o maior evento do futebol mundial.

Rivalidade, inteligência, construção

Nunca, em nenhum espaço de mídia que ocupei nesses 11 anos de carreira, preguei campanha para que o torcedor torcesse para o rival. Rival é rival. O que deve haver é uma compreensão do negócio futebol e a briga conjunta por interesse comuns fora de campo. Leio no blog do brilhante Leonardo Mendes Jr. (que trabalha no concorrente, mas e aí? Não é disso que estamos falando?) que o Paraná Clube espera as mesmas benesses do Atlético para deixar a Vila em condições de uso para a Copa. Ótimo, apoiado. Mas que o Tricolor não espere sentado e apontando o dedo. Onde está o projeto e o que pretende reivindicar a diretoria paranista? Há prospecção de seleções? Isonomia é para iguais: se há um projeto apto e consistente, rentável e de evolução, os direitos têm de ser dados. Senão será apenas um capítulo do “eu quero também, mas não sei como nem por quê.” Cresce, futebol paranaense.

*Meu Amigo Pedro, música de Raúl Seixas que diz, entre outras coisas, que é fácil criticar; difícil mesmo é ser.

3 comentários sobre “Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

  1. Lembrando caro Napoleão, que os “co-irmãos” para obter qualquer ajuda (mesmo que seja de viabilidade) do poder público precisa necessariamente estar com seus impostos em dia. Será que Coritiba e Paraná Clube são capazes disto?

    Juntos devem mais de 200 milhões, este sim seria o dinheiro destinado a construção de escolas e hospitais, como tanto falam, mas vejo que a imprensa pouco toca neste assunto.

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  2. Os editores de Esporte dos principais jornais e rádios de Curitiba são na maioria Coxas-Brancas e alguns paranistas.Vão falar que seus times devem ao erário público em Impostos ?
    Limitam-se a criticar o CAP e a satanizar a figura do Petraglia.
    Por que não lembram que o Coritiba teve que hipotecar o passe do seu ex-craque pachequinho pra poder “quitar” divida de anos e anos do IPTU do Couto Pereira ?Se bobear devem IPTU até hoje e vão querer Potencial Construtivo.
    E o paraná clube? Vai querer potencial construtivo para um estádio que não lhe pertence?Que tá sendo disputado na justiça com a RFFSA ? Fala sério.Ou será que a Federação Paranaense tinha intenção de utilizar o Pinheirão,aquele estádio que foi construído a custo de apropriação indébita de INSS por parte do Onaireves e outros calotes das mais diversas formas.O Leonardo Mendes Junior deveria procurar se inteirar mais dos fatos ao invés de ficar fuçando os desabafos no Twitter do segundo vice-presidente do Atlético Márcio Lara.

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