Copa 2014: análise do debate dos candidatos a prefeitura sobre o tema

Clima de eleições e o prefeito a ser eleito carregará a marca de ter sido o “prefeito da Copa em Curitiba.” Marca que todo político quer para, através do esporte, propagar-se como benfeitor público. Ser prefeito é mais que isso, claro. E a Copa também. O blog, como de praxe, não se omite e apresenta uma análise do que foi visto na TV sobre o tema.

Estigmatizada em Curitiba como se fosse um evento ruim, a principal competição esportiva do Mundo foi debatida pelos candidatos a prefeitura numa ótima iniciativa da ÓTV, canal fechado da RPC – parabéns a Marcelo Dias Lopes e toda equipe. É papel da imprensa debater os principais temas da cidade e, apesar de ter sentido falta de alguém mais ligado à editoria do esporte da emissora, Herivelto Oliveira conduziu bem o debate. Que, infelizmente, ficou um pouco esvaziado.

Isso porque três dos candidatos cancelaram a participação em cima da hora – segundo a emissora, chegaram até a se reunir para determinar as bases do debate. Uma pena para Luciano Ducci (PSB) que concorre à eleição e chegou a dizer que sonha em ser o “prefeito da Copa”; demonstrou interesse zero na hora errada.

Ruim também para Ratinho Júnior (PSC), que atirou a esmo para ser populista e acertou no Atlético, acusando o clube de falta de transparência na condução do empréstimo do BNDES, cujos termos são públicos. Poderia ter se explicado melhor.

Também nada legal para Gustavo Fruet (PDT), notório torcedor do Coritiba, que poderia manifestar-se acerca de suas ideias para o Mundial como amante do esporte e membro ativo da comunidade política, questionando muita coisa que desagrada até mesmo a si, como torcedor, na condução do projeto.

Os candidatos que estiveram presentes (e mais duas participações via entrevista dos postulantes sem representatividade no congresso) debateram variados temas. Abaixo, a análise da participação de cada um, na visão do blogueiro, ordenados por qualidade nas participações.

Comente você também, no espaço abaixo, e assista ao debate clicando aqui para ter suas próprias impressões.

Alzimara Bacellar (PPL)

Com uma participação relâmpago, foi fantástica, respondendo espontaneamente com simplicidade e objetividade o que nenhum outro candidato fez antes de ser provocado: um projeto para a Copa em Curitiba. Propôs a construção de um sistema educacional que atenda trabalhadores, capacitando-os em línguas, hotelaria e turismo, para aproveitar o contingente de visitantes durante o evento.

Rafael Greca (PMDB)

Ex-prefeito de Curitiba, Greca foi bem no debate sobre a Copa 2014 na cidade. Mostrou conhecimento ao contestar a ideia de que Potencial Construtivo seria dinheiro público (se disse co-criador do sistema), mas fez válida ressalva sobre o inchaço da quantidade de papéis no mercado, o que poderia provocar desequilíbrio no zoneamento urbano de Curitiba. Cobrou contrapartidas do Atlético, beneficiário do sistema e parceiro da cidade no evento, tais como a criação de um espaço de desenvolvimento esportivo público anexo ao estádio (o projeto prevê isso e a construção de uma escola pública no CT do Caju). Reconheceu a importância do evento, mas lembrou que a Copa não é a tábua de salvação da cidade. Discutiu ainda cada ponto de investimento via Copa de mobilidade urbana, tais quais os eixos de transporte. Prometeu investir R$ 1 em saúde, segurança e outros, para cada real investido na Arena. Coxa-branca histórico, Greca evitou o clubismo e até brincou, dizendo que também quer o voto dos atleticanos.

Carlos Morais (PRTB)

O jornalista, que militou ao lado do ex-governador Roberto Requião na TV Educativa durante o período de indicação de Curitiba para a Copa, preferiu fixar-se em um projeto de comunicação para o turismo no Mundial, através de folders. Mostrou-se contrário a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos e explicou que se trata de uma filosofia – cada sede regional terá opção para decidir a favor ou não da venda, mas a FIFA, patrocinada por uma cervejaria, pressiona para que todas adotem a prática. Lamentou a realização de apenas quatro jogos do Mundial na cidade e criticou a gestão dos orçamentos das obras da Copa, colocando em xeque os valores divulgados. Cobrou bem a construção de outros centros esportivos espalhados pela cidade além da Arena, citando também a Vila Capanema como exemplo de agente beneficiário futuro dos incentivos da prefeitura.

Bruno Meirinho (Psol)

O mais jovem candidato a prefeitura mostrou-se despreparado para o tema. Partiu para o populismo ao afirmar que os recursos deveriam ir para casas populares, esquecendo-se de que a cidade que os recebe só o faz porque é sede do Mundial, no projeto nacional da Copa. Fez o mesmo em relação ao Potencial Construtivo e ainda minimizou a importância de ações durante a Copa. A melhor participação foi quando fez jus aos conceitos socialistas e bradou (justamente) contra a aprovação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios por imposição da FIFA, o que demonstra o controle da entidade sob a soberania nacional. Ainda questionou supostos acordos nas cúpulas do Governo, para beneficiar-se dos recursos de eventos como Copa e Olimpíada. Propôs um plebiscito sobre a Copa, mas não explicou qual é a discussão a ser votada. Seria retirar a candidatura da cidade?

Avanílson Araújo (PSTU)

Criticou a vinda da Copa ao Brasil e foi o primeiro a tocar no tema no tema das desapropriações, ignorado até então, mas pelo pouco tempo, não conseguiu aprofundar. Disse ser contra a realização do Mundial no País – um posicionamento válido porém tardio e ineficaz para o que se apresenta.

2 comentários sobre “Copa 2014: análise do debate dos candidatos a prefeitura sobre o tema

  1. Sei que o foco aqui é o esporte, e com o foco no esporte parece díficil dizer que a Copa não é um evento positivo. Mas economica e politicamente, trata-se de um absurdo. A previsão de investimentos públicos em obras para a Copa do Mundo mostram que EXISTEM recursos disponíveis para realizar investimentos de interesse público (saúde, educação, segurança), e todos os levantamentos feitos nos outros países sede mostram que os investimentos são maiores que as receitas do evento (ou seja, o tal “legado” é uma farsa), quer dizer, serão investimentos feitos a fundo perdido. É até irônico afirmar que o sujeito que diz que esses recursos (que, como já dito, existem e serão gastos a fundo perdido) deveriam ser usados em habitação está sendo populista quando, no Brasil, nada é mais populista que a Copa do Mundo (os campeões do tri e os militares que o digam…).

    Então, sabendo que existem recursos disponíveis, e sabendo que o futebol brasileiro já está crescendo a olhos vistos com as próprias pernas, será que não valeria a pena investir esses recursos em saúde, educação, habitação, segurança e, porque não, no desenvolvimento de outros esportes, tão carentes de incentivo. Quer dizer, mesmo do ponto de vista esportivo, é possível afirmar que a Copa é um engodo.

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  2. Boa a abordagem do Blog sobre o tema – DEBATE DOS CANDIDATOS SOBRE A COPA – e esposo o mesmo entendimento de que os demais candidatos deveriam ter comparecido.

    O fato central é: a Copa terá três ou quatro jogos em Curitiba, o Estádio Joaquim Américo é sub-sede, as obras estão em andamento, e a forma de custeio foi estabelecida, com compromissos entre várias Instituições, privadas e estatais.

    O mote do “SOU CONTRA A COPA NO BRASIL”, mantido por alguns, demonstra despreparo e ignorância quanto ao tema.

    Outras propostas, quanto à proibição da bebida alcoólica, parece mais oportunismo eleitoreiro, tentando a busca de votos dos evangélicos, em grande número. É certo que teremos cerveja na Baixada. Deveriam abordar o tema no seguinte prisma: por que somente o torcedor de Copa poderá beber, e os demais, não. A Constituição Federal veda tal diferenciação, e efetivamente, NÃO HÁ LEI PROIBINDO O CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NOS ESTÁDIOS!

    O que a Lei proíbe é a venda de substâncias proibidas, e não há no Estado do Paraná, nem em Curitiba, Lei que vede tal prática. O que existe é um acordo da CBF e do Colégio Nacional de Procuradores de Justiça. Lembro que para definir conduta como CRIME, somente assim seria através de Lei, partindo do Poder Legislativo.

    Noutra banda, interessante mesmo o posicionamento do Greca, sobre a emissão de títulos no mercado, o que pode de fato desequilibrar o zoneamento urbano da Cidade. Não sei se existem mecanismos que impeçam tal possibilidade.

    Parabéns pelo Blog, Napo, aquele abraço!

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