Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 08/08/2012

A única entrevista de Petraglia

Na semana em que deve confirmar o 9º técnico em 18 meses (uma média impressionante de um treinador a cada 60 dias) o Atlético se vê em um beco sem saída na crise existencial que vive há pelo menos duas temporadas. Outrora estilingue, o “messias” Mário Celso Petraglia – que fez muito pelo clube em outros tempos – já não pode culpar o antecessor pelo fracasso em 2012. A atual direção repete os erros de Marcos Malucelli, com um agravante: não se explica à torcida. Petraglia não fala via imprensa e fechou-se também às redes sociais. Dá a impressão de que, munido pela obra na Arena, está distante do que o futebol atleticano faz: um fiasco total. Petraglia já trocou de técnico quando não devia, errou em contratações e segue apostando em uma diretoria de futebol ineficiente, sob a tutela de Dagoberto dos Santos. Ficar na Série B em 2013 parece ser o destino. O presidente atleticano, avesso a entrevistas desde que se elegeu (até então falava aos quatro cantos), só precisa dar uma única em Curitiba. Falou em Guarantiguetá, mas não fala em casa. E o que tem a dizer é simples: assumir que errou nas escolhas e ter humildade para recomeçar enquanto há tempo.

Diferentes, porém iguais

As coisas não estão simpáticas à Coritiba e Paraná.  Em séries diferentes, com exigências diferentes, vivem o mesmo problema: a falta de gols. O Coxa sofre pela expectativa exagerada, criada por ele mesmo quando chegou (e perdeu) pela segunda vez seguida à decisão da Copa do Brasil. E sem um atacante definidor, faz o óbvio: perde de quem é melhor, mesmo em casa (Botafogo, Fluminense) e vence quem é pior, mesmo fora (Náutico). Não cairá, mas não sairá disso. O atacante também é problema na Vila. Joga bem, mas não vence. Li uma boa comparação: é como a pretendente que te dispensa dizendo que “gosta de você, mas só como amigo.” Porém, se o Coxa tem mercado e potencial financeiro para arrumar a peça que falta, o Tricolor não. Está no limite do que pode fazer. Vai com o que tem. E convenhamos, pelo cenário que se desenhava em janeiro, está indo muito bem. Mas assim não subirá – evidentemente.

Cultura esportiva

Respiro a Olimpíada de Londres, acompanhando os mais diversos esportes. Já estive em transmissões de natação, boxe, vôlei de quadra e praia, basquete, judô e handebol. A euforia que toma conta da torcida, interessando-se pelo desempenho dos atletas no decorrer dos jogos, é proporcional à cobrança injusta quando os brasileiros fracassam. Não que não deva haver cobrança; deve, afinal, quem quer projeção está na mira. Mas não temos cultura esportiva no País. Gostamos é da vitória. Dizer isso significa que temos que entender que não somos uma potência esportiva, que os atletas não são infalíveis, mesmo quando favoritos. Favoritismo não é certeza de vitória. Nos quatro anos que antecedem os jogos, ignora-se nada que não seja futebol. Nos jogos, se quer múltiplos ouros. Não dá. O esporte é parte importante de um círculo virtuoso social: integra, ensina, afasta do crime e das drogas. Poderia ser uma saída para o crescimento. E então nascerá a cultura esportiva geral – possivelmente junto com mais vitórias.

6 comentários sobre “Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 08/08/2012

  1. O segundo tópico “Diferentes, porém iguais” tem um belo e acertado título, mas a conclusão do mesmo não é correta. Para resolver seus problemas no ataque, tanto Coritiba quanto Paraná precisarão fazer apostas. A única diferença é que o Coxa tem mais margem de erro. É um equívoco pensar que o Coritiba, recebendo a segunda menor cota da série A, pode contratar um atacante que vai chegar para resolver no ato. Resta o consolo de que, se o Leonardo não se machucar, o ataque deixa de ser um problema.

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    1. Marcelo,

      Sim, vc tem razão. O comparativo é exatamente esse: ter mais cartuchos em relação ao Paraná.

      Abraços!

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  2. caro Napoleão
    Tenho uma dúvida,gerada pelo desgaste na midia em relação aos casos de “doping social” que o CAP sofreu e tem sofrido nos ultimos tempos :
    Antes de um jogador de futebol assinar contrato com seu novo clube,ele passa por uma bateria de exames médicos para que seja avaliado sua condição.Por que exames anti-dopings ,semelhantes aos que são realizados pela CBF,não fazem parte desta série de exames médicos ? O Rodolfo e o Morro Garcia já eram dependentes quimicos antes de assinar contrato com o CAP.Por mais caro que seja este exame anti-doping,creio que ainda será mais barato do que ficar um ano (no minimo) sem um jogador.Sem contar a imagem do clube que é desgastada….Do jeito que a coisa anda,até um exame toxicológico seria interessante antes de assianr contrato com um novo jogador….

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    1. Fernando,

      Acho que cada clube tem seu padrão. Mas custo a acreditar que não haja esse controle. No entanto, salvo engano, pela lei trabalhista, você não pode discriminar um possível contratado por problemas sociais. Talvez isso iniba os clubes na contratação. Então, chego a conclusão que é um conflito médico-jurídico que permita certas brechas.

      Pelo menos, é um ensaio de pensamento sobre o tema. Preciso conversar com alguém ligado aos clubes antes de tratar do tema, que aliás me interessou bastante.

      Abraços.

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  3. Matéria de hoje na Gazeta do Povo

    O interessante é saber que mesmo gordo e fora de forma fisica e técnica,o Evandro apitou jogos decisivos este ano no Campeonato paranaense,tendo uma atuaçao lamentável no primeiro Atletiba da final,influenciando diretamente no resultado da partida.
    Mas aqui na FPF,ele pode apitar.Graças a “excelente” gestão do Afonso Vitor de Oliveira,nosso chefe da comissão de arbitros.
    O Héber Roberto Lopes também está muito “prestigiado” na CBF,cumprindo uma suspensão de 15 dias por erros de arbitragens.
    Abaixo Reportagem de hoje da Gazeta do Povo

    Reprovado, Roman tem futuro incerto nos gramados
    Árbitro gaúcho, que apita pelo Paraná, não passou nos testes realizados pela FIFA e, por enquanto, está fora do Brasileirão

    Um dos principais árbitros do Paraná nos últimos anos, o gaúcho Evandro Rogério Roman (Fifa-PR) pode ficar de fora do restante do Campeonato Brasileiro. Ele não passou pelos testes físicos da Fifa, realizados desde a última terça-feira (14) e que são utilizados como parâmetro para a escala da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

    A reprovação traz à tona a possível aposentadoria do árbitro, que, atualmente, ocupa o cargo de secretário estadual do esporte no governo Beto Richa. Aos 41 anos, Roman já não pode mais apitar em Copas do Mundo. Ele integra o quadro da Fifa desde 2008, mas não foi pré-selecionado para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014; no próximo mundial, em 2018, já terá ultrapassado a idade limite estipulada para a competição (45 anos).

    Roman foi o único juiz reprovado no primeiro grupo de testes, pois abandonou a avaliação no meio da prova de 150 metros. Dos 20 tiros que teria de fazer, o gaúcho desistiu no sexto. Além dele, os auxiliares Dibert Pedrosa (Fifa-RJ) e Vicente Romano Neto (ASP/Fifa-SP) também ficaram pelo caminho ao longo do processo.

    Ainda há a possibilidade de uma segunda chance, mas, nesta quarta-feira (15), ninguém na CBF pôde falar a respeito. Procurado pela reportagem, Roman não atendeu as ligações. Em seu gabinete, a única informação é de que ele estaria em trânsito e não teria retornado os contatos de sua assessoria de imprensa.

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  4. Os mesmos bandeirinhas que “auxiliaram” nos Atletibas decisivos do paranaense 2012 vão bandeirar CAP x Paraná sábado que vem.Tiraram o campeonato paranaense deste ano do CAP e agora vão tentar brecar a recuperação do Atlético na segundona.Sorte que o Heber e o Evandro estão impossibilitados por motivos técnicos e fisicos de apitar (pela CBF,lógico.Aqui sempre podem apitar),senão completaria o trio.Lamentável .

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